São ainda conjecturas à confirmar, mas as simples declarações de Arthur Lira, se comprometendo com a responsabilidade fiscal, foram suficientes para dar um gás aos mercados nesta terça-feira. A bolsa paulistana subiu quase 2,5%, o real teve a melhor performance entre os pares, e a curva de juro “entregou prêmios”. No exterior, as bolsas de NY renovaram recordes.
Na entrevista com a XP na manhã de terça (dia 24), Arthur Lira afirmou que não haverá “quebra” na Lei de Responsabilidade Fiscal, nem no teto dos gastos, e que a PEC dos precatórios será aprovada dentro dos conformes (regras). A reforma do IR deve ser adiada para a semana que vem, mas o parecer da reforma administrativa avançará nesta semana.
Neste “cipoal de boas notícias”, depois de um período de baixa, a bolsa de valores de São Paulo, B3 (SA:B3SA3), deu uma animada e subiu 2,33%, a 120.210 pontos, maior nível desde 13 de agosto. No ano, a bolsa paulistana volta ao azul, avançando 1,0%, perdendo apenas 1,31% em agosto. Na semana a alta é de 1,83%. Já o dólar, que chegou a R$ 5,40 em alguns momentos, cedeu 2,23%, para fechar a R$ 5,2622. No Tesouro, foi antecipado o anúncio do leilão de títulos, numa oferta de lote menor de NTN-B, evitando especulações e prêmios maiores. Com isso, as taxas recuaram e a curva a termo “perdeu inclinação”.
Nos EUA, as bolsas renovaram altas, diante dos bons sinais de melhora na pandemia da Covid-19 na China. Aguardemos agora o discurso de Jerome Powell, presidente do Fed, em Jackson Hole na sexta-feira. A expectativa é de um “discurso mais ameno”, sinalizando redução bem gradual dos estímulos monetários. Outra boa novidade no dia veio da aprovação definitiva da FDA sobre a Pfizer (NYSE:PFE) (SA:PFIZ34).
No Congresso
Em evento da XP, o presidente do Congresso, Arthur Lira defendeu o “teto de gastos”, disse que a negociação dos precatórios, com o parcelamento, não pode ser considerado calote, e que a reforma tributária, na fase da mudança do IRPJ, deve ficar para a semana que vem. Nesta semana será tratado o parecer do deputado Arthur Maia, sobre a reforma administrativa, apresentado no Congresso nesta quarta ou na quinta-feira. O adiamento da mudança do IR se justifica pela necessidade de se buscar “uma convergência no texto”.
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Ainda sobre a PEC dos precatórios, na inviabilidade de parcelar a dívida judicial de R$ 89,1 bilhões, uma alternativa será um “plano B” empurrando esta fatura para o ano que vem. Muito se comenta sobre a reformulação do texto desta PEC para se evitar “insegurança jurídica”.
Sobre o Auxílio Brasil, especulações crescentes indicavam um valor de R$ 300 a partir de novembro, depois do Auxílio Emergencial. A sustentar isso, uma arrecadação federal, que em julho deve ter sido “explosiva”, segundo palavras do ministro Paulo Guedes.
Outra fonte de recursos, vinda da reforma do IR, segue sem consenso, adiada para a semana que vem (quem sabe?). No governo, corre-se para cumprir as exigências da LRF e tornar este novo programa social uma realidade. Outra alternativa para se buscar fonte de recursos, pode ser o plano de revisão dos subsídios tributários, que o governo deve apresentar ao Congresso em setembro. Pela LRF, uma nova despesa precisa ser acompanhada de uma “fonte de custeio”, ou seja, uma receita duradoura e que possa financiar este gasto.
Na China
Foi anunciada a reabertura do terceiro maior porto do mundo, depois de uma paralisação de duas semanas. Decorrente disso, o preço dos fretes, a nível global, disparou.
No Afeganistão
O prazo final para a retirada de afegãos, que queiram ir embora, termina agora no dia 31 de agosto. Para Joe Biden é essencial definir logo este prazo, devido ao risco “muito alto” de ataques terroristas. Biden, no entanto, não negou que possa estender esta missão dos EUA no Afeganistão. Em paralelo, a China segue em negociações com os Talebãs, de olho em US$ 1 trilhão de ganhos nas riquezas minerais do País.
Mercados
Mercados globais indicando alta nesta quarta-feira.
No Brasil, no dia 23 o Ibovespa resolveu ir as compras, numa alta de 2,33%, a 120.210 pontos. No mercado cambial, o dólar fechou em pequena queda contra o real, quase estável, recuando 2,23%, a R$ 5,26, depois de chegar a R$ 5,40 na semana.
Nesta quarta-feira, dia 25, as bolsas internacionais ensaiavam suaves altas. A corroborar para isso, a China avançando no combate à pandemia, a aprovação da Pfizer pela FDA americana e certa calmaria no Afeganistão. O prazo final de retirada das pessoas termina em 31 de agosto.
Nesta madrugada, na Ásia (5h05), os mercados fecharam mistos. Nikkei recuou 0,03%, a 27.724 pontos; Kospi, na Coréia do Sul, +0,27%, a 3.146 pontos; Shanghai Composite, +0,74%, a 3.540 pontos, e Hang Seng, -0,26%, a 25.661 pontos.
Na Europa (04h05) os mercados operavam em suave alta. DAX avançando 0,12%, a 15.924 pontos; FTSE 100, avançando 0,07%, a 7.130 pontos; CAC 40, +0,20%, a 6.677 pontos; e Euro Stoxx 50 +0,22%, a 4.187 pontos.
Nos EUA, as bolsas de NY operavam em suave alta no futuro dia 25 (5h05). O Dow Jones estável, a 35.315 pontos, a S&P 500, +0,03%, a 4.483 pontos, e a Nasdaq, 0,08%, a 15.369 pontos. No mercado de treasuries, os US 2Y recuavam 1,81%, a 0,2445, os US 10Y 0,00%, a 1,290 e os US 30Y, +0,19%, a 1,911. No DXY, o dólar avançava 0,13%, a 93,023.
Na agenda, estejam atentos no Brasil à arrecadação federal de julho, segundo Paulo Guedes, explosiva. Saem também os dados do setor externo, com o saldo em conta corrente e os investimentos externos em rápida deterioração.