As bolsas estão sob pressão com a aproximação do dia 2 de abril, apelidado de "Dia da Libertação". Investidores estão, com razão, receosos de que as tarifas anunciadas por Donald Trump venham a prejudicar a economia e pressionar os lucros corporativos. Diante das declarações recentes do presidente dos EUA, esse temor é plausível. Mas e se Trump estiver apenas explorando o fator emocional para transformar o evento em uma demonstração de força? Nesse cenário, ele poderia anunciar tarifas menos abrangentes ou severas do que o prometido — o que poderia provocar uma reação positiva nos mercados. Assim, ele reivindicaria o mérito da valorização dos ativos como prova da eficácia de sua política tarifária.
Ainda que não seja possível prever esse desfecho, investidores precisam considerar todos os cenários — inclusive aqueles menos prováveis. O que parece ser um risco elevado pode, na verdade, se revelar uma armadilha para os pessimistas. Vale lembrar o ditado de Wall Street: “compre no boato, venda no fato”. Nesta situação, o inverso também pode ser verdadeiro: “venda no boato, compre no fato”.
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Conforme observado ontem, o fracasso do mercado em manter o suporte na média móvel de 200 dias acende um alerta no curto prazo. No entanto, com os níveis de sobrevenda atuais, o sentimento extremamente negativo e o forte movimento vendedor por parte dos fundos hedge no setor de tecnologia, o mercado pode estar prestes a realizar um rali de alívio — uma oportunidade para reduzir risco nas carteiras.
As incertezas sobre as tarifas de Trump continuam limitando o mercado, mas espera-se que o anúncio desta quarta-feira traga maior clareza, permitindo a reavaliação dos múltiplos de preço.
Importante destacar que os spreads de crédito permanecem contidos, o que indica que a atual correção ainda não representa um movimento de risco sistêmico. Caso esses spreads se ampliem significativamente, o mercado pode enfrentar um evento de aversão a risco mais severo, geralmente motivado por choques externos.
Do ponto de vista técnico, os mercados continuam fragilizados: a amplitude de mercado é fraca e falta impulso de preço. Esse ambiente não favorece alocações agressivas em ações. Até que o “Dia da Libertação” passe, espera-se um mercado volátil e difícil de operar — contexto que frequentemente leva investidores a cometerem erros estratégicos.
A recomendação é manter cautela e paciência até a definição das tarifas. A partir de então, será possível fazer uma avaliação mais precisa do risco-retorno nos portfólios.
Expectativas exageradas
O gráfico abaixo, baseado em dados da Universidade de Michigan, mostra as expectativas de consumidores, separadas por filiação política — e revela duas constatações importantes. Primeiro, a expectativa muda radicalmente com cada novo presidente. Segundo, a deterioração da percepção dos democratas chama atenção: esse grupo vê o cenário atual como pior que o auge da Covid-19 ou da crise de 2008. Embora o sentimento não seja um indicador direto de atividade econômica, ele pode influenciar o consumo. Por isso, dados como vendas no varejo e resultados de empresas do setor ajudarão a determinar se o pessimismo já afeta o comportamento de compra.
Mercados estrangeiros oscilam em relação aos EUA
Apesar do risco tarifário, ações estrangeiras vêm apresentando desempenho sólido — tanto absoluto quanto relativo — impulsionado pela fraqueza do dólar. Desde julho, o Índice do Dólar caiu mais de 5%. Gráficos da SimpleVisor mostram o desempenho relativo de diversos fatores de ações em comparação com o S&P 500, com destaque para os ETFs de mercados desenvolvidos (EFA) e emergentes (EEM). Esses ativos superaram o S&P 500 nos últimos 60 dias, mas ficaram atrás nas 8 semanas anteriores. Investidores que rotacionaram capital dos EUA para esses mercados obtiveram bons retornos — embora isso possa não se repetir se o foco voltar às tarifas.
Outro gráfico da SimpleVisor mostra a evolução dos scores relativos e absolutos desses ETFs nas últimas três semanas. Ambos seguem em território de sobrecompra, mas os indicadores estão se enfraquecendo.
Caso o dólar siga em queda e as notícias sobre tarifas melhorem, os ETFs podem retomar desempenho superior. Caso contrário, podem voltar a perder espaço, como ocorreu nos últimos anos.
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