O movimento de alta nos preços do suíno vivo e da carne foi intensificado em outubro. Enquanto a oferta de animais para abate esteve restrita e consequentemente limitando a produção de carcaças e cortes, as exportações da carne apresentaram bom desempenho. Diante disso, os valores da maioria dos produtos suinícolas levantada pelo Cepea estiveram em patamares recordes reais das respectivas séries. Para o suíno vivo, além da oferta reduzida e da demanda aquecida por parte da indústria, devido às exportações, os preços elevados dos principais insumos da atividade, milho e farelo de soja, motivaram produtores a buscar maiores valores na comercialização do animal, no intuito de garantir a rentabilidade da atividade.
De setembro a outubro, o suíno vivo negociado no mercado independente se valorizou 6,6% na região do Oeste Catarinense, com média de R$ 8,69/kg, recorde real da série histórica do Cepea, iniciada em março de 2002 e deflacionada pelo IGP-DI de outubro/20. Também recorde, no Norte do Paraná, o animal teve preço médio de R$ 8,71/kg em outubro, avanço de 5,5% na comparação com o de setembro. Já nas capitais mineira e paulista, os preços atingiram o segundo maior patamar da série, atrás somente dos de dezembro de 2004. No comparativo mensal, o suíno se valorizou 6,5% na região SP-5 (Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba), a R$ 8,77/kg na média de outubro. Em Belo Horizonte (MG), a elevação foi de 4% no mesmo período, com o suíno comercializado a R$ 8,75/kg.
Para as carnes, agentes do setor reajustaram seus preços para seguir a tendência do vivo, mas indicaram dificuldades no repasse ao atacado. Mesmo com a resistência do consumidor interno em relação aos valores elevados, as carcaças e os cortes acompanhados pelo Cepea também atingiram recordes reais da série (deflacionados pelo IPCA de outubro/20). A carcaça especial negociada no atacado da Grande São Paulo teve média de R$ 12,60/kg, alta de 6,9%. Na média das regiões do estado de São Paulo, a costela se valorizou 2,3% de setembro para outubro, indo a R$ 16,75/kg. Também recorde, o preço da paleta desossada se elevou 5,3% no mesmo período, a R$ 15,21/kg no último mês.
Preços e Exportações
Apesar da redução no ritmo de embarques na última semana do mês, as vendas externas de carne suína aumentaram em outubro frente a setembro. Esse cenário resultou em menor disponibilidade da proteína no mercado doméstico e, consequentemente, em elevação nos preços internos. De acordo com relatório da Secex, em outubro, o Brasil exportou 87,6 mil toneladas de carne suína, volume 2,5% acima do observado em setembro e 21,7% a mais que em outubro/19. Apesar desse aumento no volume embarcado, a expectativa do setor era de que as vendas apresentassem desempenho ainda melhor, fundamentados nas exportações intensas nos 16 primeiros dias úteis do mês, quando a quantidade apenas de carne in natura já totalizava 66,9 mil t.
Em termos financeiros, a receita obtida pelo setor foi favorecida pelo câmbio elevado e pelo aumento no preço médio da carne exportada. Ainda tendo-se como base os dados da Secex, a tonelada da carne suína saiu dos portos brasileiros a US$ 2,27 mil, o maior valor dos últimos seis meses. Dessa forma, a receita com os embarques somou R$ 1,12 bilhão em outubro, aumento de 10,3% frente à de setembro e ainda 71,8% maior que o montante de outubro/19. O incremento nos embarques suinícolas se deu principalmente pelo crescimento das vendas à China e Hong Kong. Após atingirem a menor participação nas exportações de carne suína de 2020 em setembro, ambos os destinos aumentaram os pedidos em outubro. No mês, a China foi destino de 46,5 mil t dos embarques de carne suína, alta de 6,1% frente a setembro, e Hong Kong, de 11,4 mil t, elevação de 16,6%.