- As preocupações do mercado com estagflação são alimentadas pelo impacto das tarifas sobre a inflação e o crescimento.
- As tendências de baixa atuais indicam que os níveis de resistência passaram a se posicionar acima de antigos pontos-chave de suporte.
- Negociações comerciais bem-sucedidas poderiam atenuar a volatilidade dos mercados, mas a incerteza ainda é elevada.
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Após a forte queda registrada imediatamente após o anúncio das tarifas ontem, os contratos futuros do S&P 500 tentaram esboçar uma recuperação durante a madrugada. No entanto, até o momento da redação, esse movimento havia perdido força, acompanhando a reversão das bolsas europeias em relação às máximas do início do dia. O mercado cambial também registrou movimentos intensos, com o dólar sofrendo uma desvalorização generalizada.
Nem mesmo o ouro, tradicional ativo de proteção, escapou da pressão vendedora. Como já havia sido alertado na segunda-feira, o metal pode cair junto com o mercado acionário caso o movimento de venda em ações se intensifique. A principal preocupação, neste momento, é a incerteza imediata que as tarifas — e as contramedidas que inevitavelmente virão — geram em relação à inflação, ao crescimento econômico e à rentabilidade corporativa.
Essa incerteza vem ditando a direção dos mercados. Mas será que há algum sinal positivo no horizonte?
Tarifas e risco de estagflação
Analistas mais céticos consideram que Trump está assumindo um risco elevado, com impactos de curto prazo que podem superar amplamente quaisquer benefícios no longo prazo. Uma desaceleração global provocada pelo protecionismo americano pode comprometer o crescimento das exportações dos EUA, o que significa que a esperada melhora nos termos de troca pode nunca se concretizar.
De fato, estimativas do UBS indicam que, se as tarifas recíprocas de Trump forem mantidas de forma permanente, a inflação nos EUA poderia atingir 5%, impulsionada principalmente pelo aumento nos custos de importação.
A queda simultânea das ações americanas e do dólar sinaliza uma perda de confiança dos investidores na estratégia comercial da Casa Branca. A preocupação é que as tarifas elevem a inflação ao mesmo tempo em que prejudicam o crescimento, limitando a capacidade de resposta do Federal Reserve, especialmente em um contexto de juros já elevados.
O risco de estagflação — combinação de crescimento fraco com aumento de preços — passou a ser um dos principais temores do mercado. Uma intensificação da guerra comercial por meio de retaliações pode agravar ainda mais esse cenário.
Há alguma luz no fim do túnel?
Potencialmente. Trump ainda pode decidir reduzir ou até mesmo suspender as tarifas, caso haja um acordo entre líderes globais para eliminar barreiras comerciais. Esse seria o cenário mais favorável para os mercados, especialmente considerando as dúvidas quanto à eficácia das autoridades monetárias diante de uma nova alta inflacionária.
Enquanto não houver progresso concreto nas negociações comerciais, a volatilidade tende a continuar elevada, com investidores prontos para vender diante de qualquer tentativa mais firme de recuperação.
Defensores das tarifas argumentam que as críticas não compreendem a visão de longo prazo de Trump, centrada no objetivo de repatriar a produção industrial. Admitindo que retaliações sejam inevitáveis, eles sustentam que as empresas acabarão sendo forçadas a transferir parte de suas operações para os EUA.
Análise técnica
Do ponto de vista técnico, o caminho de menor resistência segue sendo de baixa. O índice não conseguiu superar a linha de tendência descendente no pregão de ontem. Os níveis de suporte entre 5.532 e 5.600 pontos foram rompidos e, diante do atual ambiente de aversão ao risco, tendem agora a atuar como zonas de resistência.
Dado o viés negativo, qualquer movimento de alta nos contratos futuros do S&P 500 ou em ações específicas deve ser encarado como uma recuperação pontual e não como uma reversão de tendência — ao menos até que o mercado volte a registrar topos ascendentes.
Nesse contexto, caso ocorra algum repique, recomenda-se a realização parcial ou total de lucros em posições compradas, uma vez que o mercado pode facilmente retomar o movimento de baixa, como já ocorreu ontem e em outros episódios recentes desta tendência.
Caso a pressão vendedora continue, o próximo suporte relevante está em torno de 5.394 pontos — mínima de setembro. Abaixo disso, temos o topo de janeiro de 2022 em 5.251 pontos, que já foi testado diversas vezes no ano passado. Em seguida, o fundo de agosto de 2024 aparece em 5.120 pontos.
Pelo lado da resistência, o primeiro nível relevante acima de 5.600 pontos é o fechamento oficial de quarta-feira, em 5.712 pontos, que representa o gap aberto. Acima disso, o gráfico aponta para uma zona de resistência de longo prazo, destacada em vermelho.
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