- Todos os olhares estão voltados para o relatório do IPC dos EUA nesta semana, que pode redefinir o rumo do dólar.
- A incerteza geopolítica e as decisões de bancos centrais ao redor do mundo ampliam os desafios para a moeda americana.
- Níveis técnicos importantes indicam potencial para volatilidade, enquanto o índice do dólar luta para manter seu suporte.
O índice do dólar teve dificuldades para sustentar seu ritmo na última semana, enquanto os mercados avaliavam dados inconsistentes de emprego e revisavam as expectativas para a próxima decisão de juros do Federal Reserve.
Com uma probabilidade de 83% de um corte de 0,25 ponto percentual já incorporada aos preços, segundo a CME, a atenção agora se volta para o importante relatório de inflação desta semana, que pode alterar as condições atuais do mercado.
Se os dados do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) forem diferentes do esperado, o movimento de alta do dólar, iniciado após a eleição de Trump, pode enfrentar novos obstáculos.
Esse rali já mostra sinais de enfraquecimento, pois o ajuste típico de posições no final do ano reduziu a demanda. Apesar disso, os riscos geopolíticos e a imprevisibilidade das políticas de Trump ainda oferecem suporte para o índice.
Morgan Stanley (NYSE:MS) recomenda posições contra o dólar
O banco Morgan Stanley recentemente sugeriu que investidores adotem posições vendidas no dólar, destacando a perda de força do longo ciclo de valorização da moeda.
Embora alguns analistas defendam que fatores geopolíticos e as políticas do governo Trump ainda sustentam a moeda americana, o consenso é que a fase de domínio do dólar parece estar diminuindo.
Indicadores econômicos guiam o sentimento do mercado
Mesmo com os desdobramentos geopolíticos, como a situação na Síria, o foco dos mercados permanece nos dados econômicos dos Estados Unidos.
O relatório de emprego da semana passada revelou a criação de 227 mil novos postos de trabalho, enquanto a taxa de desemprego permaneceu estável em 4,2%. Esses números reforçam a percepção de força da economia americana, mas também solidificaram as expectativas de um corte de juros pelo Fed.
O relatório de inflação, previsto para 11 de dezembro, está no centro das atenções. As projeções apontam para uma inflação subjacente de 3,3% e uma taxa geral de 2,7% no acumulado de 12 meses. Qualquer desvio desses números pode influenciar significativamente o dólar.
Dados abaixo do esperado podem intensificar a venda da moeda, enquanto números melhores que o previsto podem renovar o otimismo em torno do dólar.
Bancos centrais globais aumentam a incerteza
As decisões de política monetária de outros países nesta semana também podem impactar o dólar. O Banco Central Europeu (BCE) deve reduzir ainda mais os juros, o que pressionará o euro, enquanto a instabilidade política na França adiciona desafios para a zona do euro.
Na Ásia, as políticas econômicas da China e as condições restritivas do mercado japonês continuam recebendo atenção, embora o iene tenha permanecido estável.
No Canadá, é provável que o banco central corte os juros, enquanto o Banco Nacional Suíço deve adotar cortes mais agressivos para enfraquecer o franco suíço. Por outro lado, o Banco da Reserva da Austrália é um dos poucos que deve manter os juros inalterados neste mês.
Níveis técnicos importantes para o dólar
O índice DXY sofreu uma queda expressiva depois de atingir o pico de 108 no final de novembro. Atualmente, encontra suporte próximo a 105,75, enquanto a resistência-chave está em 106,2.
Se o índice permanecer consistentemente abaixo de 106,2, a tendência de baixa pode se intensificar, levando o DXY para a faixa entre 104 e 105. Por outro lado, um rompimento acima de 106,2 pode abrir caminho para um novo teste da região de 108, especialmente se os dados do IPC superarem as expectativas ou se as tensões geopolíticas aumentarem.