Eis que chegou a hora. Um dos IPO’s mais aguardados dos últimos tempos está para acontecer. A XP desafiou gigantes, remodelou a indústria de corretagem no Brasil, cresceu quando muitos só viam crise e provou que não estava para brincadeira. Hoje reina praticamente absoluta no mercado de corretoras do Brasil, além de incomodar os bancos.
De tanto incomodar, em 2017 ganhou como sócio um ex-adversário – “se não podes competir, una-te ao teu adversário? Mas nesse caso foi o Itaú (SA:ITUB4) que buscou a união e aceitou comprar um pedaço da empresa avaliando-a em 12 bilhões de reais, pagando algo como 20x lucros de 2018 segundo anúncio da oferta.
Mas esse post não é sobre o valuation atual da empresa, pretendo fazer uma versão 2 abordando se vale ou não a pena entrar. Esse post é sobre como participar do IPO, então vamos lá!
LISTAGEM NOS EUA: MAIS UMA LIÇÃO DA XP?
Chegamos a 2019 e mais uma vez a XP nos dá uma lição. Não há como negar, está no seu DNA! A empresa achou o caminho de ouro quando lá no início focou em educar seus clientes sobre o mercado financeiro. Seu IPO é outra grande lição!
A XP, assim como outras proeminentes empresas brasileiras (vale citar a Stone, Arco Educação, PagSeguro (NYSE:PAGS), entre outras) escolheu o mercado americano para debutar como empresa de capital aberto. Sua escolha foi pela bolsa que tem foco em empresas de tecnologia, a Nasdaq.
É surpreendente que a corretora que cresceu com a força do varejo e vendendo a promessa de acesso a produtos de investimentos para todos, tenha elegido o mercado internacional para listar suas ações, não?
Na verdade, ao fazer isso a XP nos ensina o quão fundamental é ter acesso ao mercado global. Ela nos aponta para futuro, nos dizendo que o próximo passo para o investidor brasileiro é a internacionalização, um caminho sem volta e necessário nesse processo que vivemos de maturação do mercado de investimentos brasileiro.
IPO NOS EUA É BEM DIFERENTE DE COMO É NO BRASIL
Ja recebi uns 3484 mensagens de Whatsapp perguntando como faz para participar do IPO da XP. A triste resposta para o investidor brasileiro acostumado ao formato de IPO’s no Brasil é que: nos EUA os IPO’s são restritos a investidores institucionais e os chamados accredited investors, ou ainda, aqueles que atendem algumas regras específicas de diferentes corretoras, normalmente associadas a um longo histórico de operações com a corretora, um montante elevado de ativos investidos, ser clientes premium, etc., varia bastante.
Explico melhor: se no Brasil, qualquer pessoa física consegue abrir conta numa corretora e participar do processo de abertura de capital, seja com R$ 1 mil, R$ 2 mil, R$ 5 mil , ou qualquer valor, nos EUA as coisas são diferentes. Os investidores individuais ficam de fora do processo de formação de preços (bookbuilding) e participam apenas se a sua corretora abocanhar um pedaço da oferta e resolver disponibilizá-la a seus clientes. Mesmo que disponibilizem, por questões de suitability, IPO’s são considerados operações “especiais” que requerem certa sofisticação do investidor em entender os riscos associados em investir em uma empresa com pouco histórico de mercado e no qual suas ações podem fazer elevados movimentos no curto prazo. Por isso normalmente eles ficam restritos aos accredited investors, ou ainda a investidores que provem que tem experiência com investimentos.
O que é um accredited investor? Seria algo como o “investidor qualificado” que temos no Brasil. As regras são:
- Provar um patrimônio de US$ 1 milhão em investimentos, excetuando a casa que você reside nessa conta de patrimônio;
- provar que você teve uma renda anual de pelo menos US$ 200 mil nos 2 últimos anos, ou ainda, US$ 300 mil se for considerado em conjunto ao cônjuge.
Deu pra ver que não é das coisas mais simples mesmo.E se você pesquisar nas corretoras americanas, vai ver que o negócio é complicado mesmo, reservado a clientes premium ou com longo histórico de relacionamento com a instituição financeira. Vou dar 2 exemplos:
- TD Ameritrade: para participar de algum IPO você tem que depositar US$ 250 mil, ou ter efetuado 30 trades nos últimos 3 meses, para tentar participar! Digo tentar, porque você ainda tem que preencher um formulário para que eles verifiquem se você é elegível ou não para participar!
- Fidelity. Ter pelo menos US$ 100 mil em ativos com a casa, ou ter feito mais de 36 trades no ano, ou ser um cliente premium deles. Mesmo sendo cliente premium ainda tem o processo de ser elegível ou não a participar.
MAS CALMA…TEM UM JEITO!
A XP poderia ter optado pela modalidade de abertura de capital direta, tal qual fez o Spotify (NYSE:SPOT) por exemplo. Nela, ao invés de pagar os bancões para estruturar sua oferta, você (no caso a XP) tomaria o risco de fazer a oferta e vender diretamente no mercado – Direct Listing Process (DLP). Teriam economizado uma grana! Optaram pelo jeito menos inovador e tradicionalzão mesmo, pagando alguns milhões para os bancos que coordenam a oferta e tornando menos acessível ao grande público.
Então a alternativa é comprar ações no primeiro dia de negociação mesmo!
SE TORNANDO UM INVESTIDOR GLOBAL…
O jeito então é se tornar um investidor global! Mas o primeiro passo é abrir uma conta em alguma corretora de valores americana que aceite investidores não residentes. Você precisa apenas de um documento de identificação e um comprovante de residência para o cadastro em um processo que não leva mais do que alguns poucos minutos. Com a conta aberta, basta você mandar os recursos do seu banco para a corretora e realizar uma operação de câmbio para sua conta americana. Com o saldo de dólares já disponível nos EUA, basta esperar a data de negociação do IPO para participar no primeiro dia.
APROVEITE ESSA!
Não existem ainda detalhes de como se dará a operação da XP e das datas, mas o recado já foi dado: para ser sócio da XP o investidor terá que se tornar um investidor global.
Era isso.