Desde março, o Ibovespa, o principal índice da bolsa de valores brasileira, subiu mais de 15%. Para quem busca dar a “grande tacada”, pode não parecer muito. Contudo, por trás de uma evolução “tímida” do mercado podemos ver ações que já subiram 50%, 70% e até mais de 100%.
É o caso, por exemplo, de uma das principais companhias de educação do país, a Cogna (BVMF:COGN3), que acumula mais de 60% de valorização, da Movida (BVMF:MOVI3), de aluguel de carros, com mais de 85% de alta e C&A (CEAB3 (BVMF:CEAB3)), que passa de 100%.
Diferentemente do Ibovespa, que, em um ano, pode avançar 10% em um dia algumas vezes, os movimentos dos papéis citados acima chamam a atenção.
Enquanto escrevo, o nosso índice está na casa dos 119 mil pontos, o que faz com que muitas pessoas acreditem no início de um “Bull Market”, que, entre outras explicações, indica um período longo de valorização para as ações.
Diante deste cenário, tenho visto alguns investidores irem às compras de diversos papéis esperando que os próximos anos sejam tomados pela bonança do mercado.
Um período positivo pode, de fato, estar acontecendo neste momento. A grande questão, no entanto, é que não dá para prever nada com certeza, ainda mais quando se trata de bolsa de valores e economia.
Isto porque já vimos algo parecido acontecer lá atrás. Entre julho e novembro de 2022, o Ibovespa disparou cerca de 24%. Assim como em 2023, alguns papéis subiram com ainda mais força, acumulando altas que passaram dos 50%.
O problema é que pouco tempo depois este mesmo mercado despencou e as ações que antes trouxeram ganhos, os devolveram com grande velocidade.
Como eu costumo dizer, o mercado é assim. Nada cai ou sobe em linha reta, ou, como dizem por aí: a bolsa sobe caindo…
Diante deste cenário, vale chamar a atenção do investidor, especialmente, o pequeno e o médio.
Quando vemos movimentos acentuados de valorização de alguma ação, exemplo são os 50% descritos anteriormente, dificilmente veremos um novo período de alta na mesma proporção.
O mais comum de acontecer é uma queda da ordem de 10% a 25% anos de retomar a tendência altista, isso se ela de fato se confirmar.
Portanto, a dica é: cuidado com o peso das mãos. Se você estava posicionado em um dos papéis citados acima e sabia o que estava fazendo, parabéns! Você provavelmente conseguirá formar um patrimônio desde que busque o equilíbrio da carteira.
Por outro lado, se ficou de fora das recentes altas, é melhor pensar duas vezes antes de acrescentar ativos em quantidade relevante neste momento.
A sugestão é ter paciência e esperar uma queda que varie entre 10% e 20% para papéis que estejam com os preços próximos das máximas recentes.
Ainda que você compre de acordo com o que eu disse e a ação caia, é importante ressaltar que o cenário econômico do Brasil melhorou. A inflação está em queda e o mercado já espera cortes na Selic em breve.
Talvez estejamos, de fato, no início de um “Bull Market”. Contudo, gosto sempre de falar, a “diferença entre a cura e o veneno está na dose”. Pense nisso e até o próximo artigo!