Fala-se de dólar, de juros de curto e longo prazo, de Bovespa, de Selic, de inflação, etc, porém todos estes ativos dependem fundamentalmente para formação de seus preços e indicadores da reconquista de valor do principal ativo do país, sua CREDIBILIDADE!
Para um país fortemente atacado em sua confiança, credibilidade e atratividade, são inquietantes a não definição de atitudes evidenciando que o mesmo se dispõe a alterar profundamente os valores reconhecidamente deteriorados de sua economia e que inibem sua capacidade de reação e mudança num ambiente que o vê com descrédito.
A demora em evidenciar forte disposição à mudanças e enfrentamento a esse quadro de desgaste coloca em dúvida a capacidade do governo reeleito em superar e reverter o quadro amplamente desgastado que entregou a si próprio.
Urge que seja definida a nova equipe econômica, sendo de importância menor o estrelismo deste ou daquele membro e mais importante a coesão de propósitos, e um programa econômico que tenha o rigor suficiente para desconstruir o quadro desgastado da economia brasileira.
Todos os propósitos objetivados pelo país passam, incondicionalmente, pela recuperação da credibilidade, pilar maior para viabilização dos mesmos, sem o que o país continuará sem tração para o crescimento, pois precisa se fazer confiável e atrativo para os investimentos, fator relevante e principal para a reversão do quadro econômico do país, visto que o modelo de consumo estimulado a crédito está absolutamente superado e já deixa e tende a deixar mais como resultante uma sociedade endividada com grande parte da renda comprometida.
O Boletim FOCUS divulgado hoje, edição fechada em 7, revê de forma mais sensata a projeção para o IPCA este ano reduzindo-o de 6,45% para 6,39%, provavelmente considerando os efeitos do juro SELIC que prevê seja elevado de 11,25% para 11,50% ainda este ano. Este é um dado que precisa ser observado, pois também eleva a projeção para o dólar de R$ 2,45 para R$ 2,50, quando potencialmente tende a se situar em R$ 2,55 a R$ 2,60, e os efeitos inflacionários do dólar são mais rápidos em sua disseminação nos preços do que eventual contenção pelo aumento do juro.
Mais uma vez, o boletim reduz a projeção para o crescimento do PIB desta vez de 0,24% para 0,20% e aumenta também a retração da produção industrial de menos 2,17% para menos 2,21%.
No quesito transações correntes eleva o déficit de US$ 81,0 Bi para US$ 82,0 Bi e reduz a projeção para balança comercial de US$ 2,0 Bi para US$ 1,0 Bi, mantendo os IED´s em US$ 60,0 Bi.
A visão prospectiva para o setor externo brasileiro é muito incerta e há inúmeros fatores que podem torna-lo desafiante ao país, podendo impor-lhe fluxos negativos expressivos.
No contexto comercial continua com baixa tendência de recuperação das exportações de manufaturas, já que não dependem unicamente do fator taxa cambial, mas este fator pode impactar reduzindo a importação de bens não essenciais que terão reflexos nos preços internos. As exportações de “commodities” têm certos indicativos que apontam para redução de volume e preço, havendo projeções de quedas relevantes nas receitas.
No financeiro, entendemos que os IED´s venham a sofrer retração até que se tenha melhor evidência sobre o novo programa econômico para o país e sua exequibilidade e nos investimentos em renda fixa e variável, onde preponderam os investidores especuladores, a taxa de juro unicamente pode perder força como atração, e, a despeito disto, há eventos no radar que poderão determinar saída destes recursos.
Por isso, é urgente a necessidade do país sofrer um “choque de credibilidade”, pois se não for objetivo neste propósito ficará o sentimento de que terá “mais do mesmo” e isto tornar-se-á preocupante.
O mercado financeiro parece reticente em acreditar em tudo que ouve, tendo duvidas se haverá o vigor tão necessário a partir de uma equipe econômica forte com liberdade para agir. Se não houver credibilidade interna, ficará muito mais difícil construí-la externamente.