Nassin Taleb, um dos maiores ensaístas e analistas de riscos da atualidade, cunhou o termo Black Swan (Cisne Negro) para definir eventos absolutamente inesperados que impactam positiva ou negativamente, de determinados ativos, até todo o mercado global. As epidemias virais são um excelente exemplo deles. Desde o dia 27 de janeiro, vemos as bolsas mundiais caindo com o risco da possível proliferação do CORONAVÍRUS.
Para contextualizar, vamos tentar ser objetivos, com base nas informações que temos sobre o vírus e usando situações semelhantes. Depois analizaremos as consequências no mercado.
Em primeiro lugar, cabe ressaltar que o que chamam de CORONAVÍRUS, na verdade é um novo subtipo de vírus, assim como a Síndrome Respiratória Aguda (SARS). Porém, sua mortandade vem demonstrando ser 10x MENOR que a epidemia da SARs em 2003. Basicamente, ele só é letal em pessoas extremamente imunodeprimidas.
O presidente da OMS, Tedros Adhanon, declarou “emergência internacional”, sendo bem claro quanto ao motivo: Obter auxílio de todos os países para conter uma proliferação que poderia atingir países abaixo da linha da pobreza, o que seria muito mais perigoso por conta da condição de saúde de seus habitantes.
As autoridades sanitárias de todo o mundo estão se mobilizando e, segundo os epidemiologistas, SIM ele deve se alastrar mundo à fora (a exemplo do SARs, H1N1, etc.), e NÃO ele não irá extinguir a raça humana.
Então agora, falemos de mercado.
Em situações como a que estamos passando, a primeira consequência é o alarmismo. E como o mercado é um teatro lotado, com saídas estreitas, quando alguém grita “fogo!”, já viu: Cria-se o "efeito manada". Pessoas, trocando seus ativos de risco por outros mais seguros e, por consequência, queda generalizada nas bolsas mundiais. Mas, conforme a estatística, em seis meses após o anúncio das epidemias, TODAS as bolsas se recuperaram:
Quedas Endóginas e Exógenas
É claro que, por se tratar da China, maior consumidora de produtos exportados no mundo, determinadas empresas sofrerão diretamente o impacto do novo vírus: O setor de commodities cujo principal mercado importador é o chinês e algumas companhias aéreas são exemplos. Nesses casos, chamamos a queda de "motivo endógeno", ou seja, a redução nas atividades deve impactar diretamente seus lucros o que afetará seus resultados.
Mas para a grande maioria das outras, essa queda é apenas um "motivo exógeno", ou seja, nada tem a ver com os seus fundamentos. O grito de fogo foi apenas um alarme falso. E para investidores de Value Investing, quando o racional de determinado investimento se mantém, quedas como essa representam apenas uma boa oportunidade de compra.
No mercado financeiro, o vírus AR (Aversão ao Risco) sempre demonstrou ser muito perigoso àqueles que não têm controle sobre o seu emocional. Se você é uma dessas pessoas, sugiro fortemente que, ou delegue seus investimentos em renda variável a gestores de fundos - de preferência com prazos de cotização e resgate acima de 30 dias, ou aprenda a, como se diz no jargão do mercado, “sentar na mão”.
No dia em que você realmente ficar feliz ao ver as luzinhas vermelhas piscando no seu homebroker, poderá ser considerado um investidor.